Saúde Mental no Trabalho: Um Custo Que as Empresas Não Podem Mais Ignorar

A saúde mental dos colaboradores deixou de ser uma questão secundária e se tornou uma das maiores variáveis financeiras dentro das organizações. Dados recentes de pesquisas canadenses jogam luz sobre uma realidade que se replica em economias do mundo todo: o adoecimento mental no trabalho custa caro, e a conta está crescendo.

Um relatório recente, publicado pelo CSA Group’s Public Policy Centre estimou que o custo econômico total do adoecimento mental no Canadá chega a CA$ 180 bilhões por ano, mais de três vezes o valor estimado em 2011. Desse total, mais de CA$ 110 bilhões recaem diretamente sobre os empregadores, na forma de afastamentos, sinistros de plano de saúde, queda de produtividade e custos de adequação. No Brasil, temos levantamentos do custo para o INSS, mas muito pouco se apurou, até hoje, do quanto custa para os empregador.

Há um erro comum dentro das empresas de acreditar que os maiores prejuízos vêm dos colaboradores afastados. A pesquisa canadense mostra o contrário. O presenteísmo, quando o funcionário está presente, mas trabalha em capacidade reduzida por questões de saúde mental, responde por cerca de 80 a 90% das perdas de produtividade. O maior custo é quase invisível: está dentro da empresa, no dia a dia, tocando reuniões, operando máquinas e respondendo e-mails com metade da capacidade.

O dado mais revelador do relatório é sobre como as empresas estão investindo dinheiro com foco em saúde mental: 86% dos investimentos são reativos. Apenas 14% vão para prevenção e intervenção precoce. É o equivalente a gastar uma fortuna apagando incêndios enquanto se investe pouco em detectores de fumaça.

Os relatórios também desafiam outra narrativa conveniente: a de que a saúde mental é um problema pessoal do colaborador. As pesquisas identificam o próprio ambiente organizacional como um dos principais fatores de risco: sobrecarga, liderança inadequada, assédio, baixa autonomia e exposição a situações traumáticas são gatilhos documentados de transtornos mentais relacionados ao trabalho. Não por acaso, quase 1 em cada 3 canadenses reporta que seu desempenho profissional é afetado por questões de saúde mental. E as gerações mais jovens são as mais sensíveis a esse tema, e as mais dispostas a trocar de emprego quando o ambiente não oferece suporte adequado. Globalmente, a OMS e a OIT estimam que depressão e ansiedade custam à economia mundial cerca de US$ 1 trilhão por ano em produtividade perdida, com aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho perdidos anualmente.

Independentemente do porte ou setor, toda organização está exposta a esses custos. A diferença está em reconhecê-los antes que se tornem crises, e em construir uma cultura onde saúde mental receba atenção antes de virar afastamento, sinistro ou rotatividade. Investir em prevenção, em lideranças mais preparadas e em ambientes psicologicamente seguros não é despesa: é a forma mais eficiente de proteger a produtividade e evitar os custos muito maiores que vêm depois. As empresas que saírem na frente nessa agenda não estarão apenas sendo mais humanas, estarão sendo mais inteligentes.


Fontes: CSA Group Public Policy Centre (2026); Institute for Work & Health (IWH, 2026); Organização Mundial da Saúde (OMS); Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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